segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

A pedra de ferro no sapato dos Trabalhistas



Hoje é 27 de Fevereiro. Foi há 112 anos que várias uniões sindicais e organizações socialistas se juntaram no Congresso dos Sindicatos (Trades Union Congress) para formar o Partido Trabalhista britânico.
Num Reino Unido em que o centro do cenário político era o Partido Conservador (ou Tories), de aristocráticos e proprietários de terras, o Partido Trabalhista e os seus ideiais socialistas propunham uma alteração no Parlamento de forma a que este representasse os interesses de toda a população.
Os Trabalhistas formaram o seu primeiro Governo em 1924 mas, a falta de uma maioria na Câmara dos Comuns e os rumores de ligações entre o partido e comunistas russos, mantiveram o Governo Trabalhista por apenas 11 meses no poder.
Com o fim da II Guerra Mundial, a necessidade de mudança levou à substituição do Governo Conservador de Churchill pelo Governo Trabalhista de Clement Attlee. A promessa de pôr um fim às cinco grandes ameaças à população britânica (carência, miséria, doença, ignorância e desemprego) conduziu os Trabalhistas à sua primeira maioria. Foi nesta altura que o Partido conseguiu a sua maior conquista: a criação do Serviço Nacional de Saúde.
Em finais da década de 70, a decisão do Governo Trabalhista de congelar os salários para travar a inflacção galopante conduziu ao “Inverno do Descontentamento”. Entre 1978 e 1979 o Reino Unido viveu um período de greves sem precedente, onde reinava o caos e a miséria.
A incapacidade dos Trabalhistas de conterem os sindicatos e porem um fim às greves sistemáticas levou ao poder Margaret Thatcher e o seu Governo Conservador.
Thatcher afirmou-se logo como a maior opositora aos Trabalhistas. O seu Governo conturbado retrocedeu a maioria das conquistas dos quatro Governos Trabalhistas, privatizando grandes empresas nacionalizadas por Attlee e exercendo cortes em sectores como a saúde e a educação aos quais os Trabalhistas haviam dado particular importância e empenhado esforços em reformas.
Enquanto a Dama de Ferro volta à popularidade graças ao biopic que valeu à actriz Meryl Streep, que a representou, o Óscar, o Partido Trabalhista também tenta retornar à era de ouro perdida, em parte, graças a Thatcher.
O filme, através do olhar de Margaret Thatcher, mostra-nos a época em que o mais antigo e influente partido britânico, o Partido Conservador, inicia o seu declínio, proporcionando assim aos Trabalhistas a oportunidade de subirem ao poder.
Oportunidade que Tony Blair soube agarrar: reformulou a Cláusula IV da constituição do partido (referente aos objectivos e valores do mesmo) e criou o New Labour. Nos seus dez anos no Governo introduziu o salário mínimo nacional, criou um milhão de postos de emprego e fez o maior investimento de sempre no Serviço Nacional de Saúde.
Agora, Gordon Brown continua a escalada de popularidade do partido  e a cruzada para recuperar as conquistas dos anteriores Governos Trabalhistas que Thatcher havia anulado.


Raquel de Melo Teixeira

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