quarta-feira, 21 de março de 2012

Ai Portugal, Portugal


"Ai Portugal, Portugal"

"O Zé Povinho olha para um lado e para o outro e fica, como sempre... na mesma", esta é a caracterização de um dos bonecos mais carismáticos da história portuguesa. Quem não se lembra do “gorducho”, submisso, humilde e apático que foi e continua a ser esta personagem tão caracterizadora da sociedade portuguesa e do povo português? Ontem chamados de “zé povinhos”, hoje orgulhosamente reconhecidos como os “tugas”, mas na mais pura das essências, as mudanças são cada vez menos visíveis.
Hoje é dia 21 de Março! Há precisamente 166 anos nascia aquele que viria a ser um dos mais importantes artistas portugueses. Rafael Bordalo Pinheiro foi um percursor nas artes do nosso país, tendo desempenhado funções de jornalista, caricaturista, ilustrador, ceramista, entre muitas outras. Em suma, foi aquilo que nós podemos considerar um homem dos sete ofícios.
Uma das principais criações de Bordalo Pinheiro foi então o herói Zé Povinho. Surgiu pela primeira vez em 1875 no periódico português A Lanterna Mágica, considerado o primeiro diário crítico do país. Na sua primeira aparição a público, Zé Povinho não estava sozinho, mas sim acompanhado pelo Ministro da Fazenda da altura, Serpa Pimentel, que na caricatura está a tirar a Zé Povinho uma esmola e a dá-la ao Santo António de Lisboa, que representa Fontes Pereira de Melo, com o menino ao colo, caricaturando D. Luís I. Nessa mesma caricatura surge também um Guarda Municipal com um chicote em punho para se certificar de que o pobre cumpre com a sua “obrigação”.
“(...) ele é paciente, crédulo, submisso, humilde, manso, apático, indiferente, abúlico, céptico, desconfiado, descrente e solitário (…)”. Ele é a representação mais fidedigna do típico cidadão português: é aquele que gosta de ver a bola passar, mas sempre sentado no sofá sem muito se mexer, com a cerveja, os tremoços e a mesinha de apoio da sala para gentilmente colocar os pés. Aquele que deixa que tudo à sua volta vá acontecendo, guardando a sua brilhante intervenção para quando ele próprio é atingido pela bola de neve ou como quem diz, quando a “mostarda lhe chega ao nariz”. É aquele que vai aguentando tudo calado, ou então, aquele que vai reclamando em casa “ó que triste sina a minha”, mas, e fazer algo para reverter a situação? “É melhor não, dá muito trabalho”. É o típico português demasiado cansado para sair para a rua e gritar; é o típico português sem ambição e sem vontade de progresso; é o típico português resignado e acomodado.
Ao longo de toda a sua existência surgem-nos também outras facetas desta personagem. “(…) incrédulo, revoltado, resmungão, insolente, furioso, sensível, compassivo, arisco, activo, solidário, convivente...", é desta forma que Zé Povinho é recordado por muitos. O boneco sempre em posição de “toma”, foi a expressão máxima de crítica à sociedade do seu tempo por parte de Bordalo Pinheiro, que assistia ao empobrecer da população, com cada vez menos direitos e cada vez mais “obrigações”, e que observava incrédulo o destruir da sua pátria que outrora fora dona de meio mundo.
As similitudes com os dias de hoje são evidentes. Há cada vez mais “tugas” resignados e estagnados com a sua situação pessoal e com a situação do país. A abulia do dia-a-dia chegou para ficar numa sociedade minada de graves problemas socioeconómicos, para os quais não se avista solução, mas, também, se não há ninguém com vontade para os resolver, é impossível que tal solução seja encontrada e posta em prática.
O Primeiro-Ministro aconselha aos jovens a emigração. Por outras palavras, Pedro Passos Coelho encaminha os jovens para um futuro áureo e próspero fora do país, o que acabará por resultar num abandono de Portugal por parte daqueles que tinham as maiores capacidades de conquistar um excelente futuro permanecendo no nosso país; por parte daqueles que possibilitariam à população portuguesa ter esperança e acreditar na existência de um amanhã.
            Contraditório, ou não, dependendo das opiniões, Cavaco Silva, Presidente da República, veio na semana passada, no polémico prefácio do livro Roteiros VI, afirmar que: “(…)O nosso maior potencial é humano. O nosso maior potencial são os Portugueses, especialmente os jovens – os jovens que não se conformam, que aspiram a um futuro melhor (…)”. Perante esta frase do nosso líder supremo fico baralhada. A pergunta impõe-se: afinal é ou não para sair do país? Pelos vistos, nesta confusão que impera em Portugal, nem o Sr. Primeiro-Ministro, nem o Sr. Presidente da República se entendem. Um aconselha os portugueses a “abandonar o barco”, o outro afirma com todo o orgulho que são os jovens o futuro da nação, mas “Sr. Presidente da Republica, se os jovens acatarem o conselho de Passos Coelho, daqui a uns tempos poucos vão ser aqueles que cá ficam para conduzir a nação, então como é?”
Zé Povinho surgiu numa época de crise e contradições como aquelas que enfrentamos nos dias de hoje. Há século e meio havia quem viesse para a rua e se insurgisse contra os pressupostos estabelecidos; há 150 anos Bordalo Pinheiro não se deixou resignar e criticou, caricaturou, gritou, escreveu, fez algo, mesmo sabendo que isso lhe poderia acarretar consequências. Esse não resignar que conduziu à criação de Zé Povinho é o que falta hoje. Portugal tem uma História repleta de sucessos e de glórias, no entanto, todas essas vitórias são largamente ultrapassadas em tempos de crise.
            Os “tugas” tornaram-se derrotistas e acomodados, sempre à espera do que o futuro lhes trará, o que é totalmente incompatível com a mentalidade progressista que outrora possuímos. Receio e medo são palavras de ordem numa sociedade repleta de “censura” intrínseca, numa sociedade que apesar de ter estatuto democrático, caminha cada vez mais para um beco escuro e apertado. Há que voltar a enfrentar esses medos e lutar contra tudo o que seja visivelmente contra os princípios de liberdade definidos; há que exercer os nossos direitos enquanto cidadãos; há que nos esforçar por fazer de Portugal um país melhor mas, acima de tudo, um país com futuro.
Como Jorge Palma cantara há muito anos:

Ai, Portugal, Portugal 
De que é que tu estás à espera?
 
Tens um pé numa galera
 
E outro no fundo do mar
 
Ai, Portugal, Portugal
 
Enquanto ficares à espera
 
Ninguém te pode ajudar

Hoje é dia 21 de Março. Hoje é o dia do aniversário de Rafael Bordalo Pinheiro. E hoje é o dia de começar a olhar para as coisas de forma diferente; de encarar o mundo e a vida de forma diferente. Hoje é o dia da mudança, porque “enquanto ficares à espera, ninguém te pode ajudar”.




segunda-feira, 19 de março de 2012



Pai


     O primeiro registo de comemoração deste dia data de cerca de 4.000 anos atrás, na Babilónia. Elmesu, um jovem babilónico, esculpiu um cartão para o seu pai em argila que foi encontrado nas ruínas da antiga cidade, onde se localiza actualmente o Iraque. 

     No cartão desejava saúde e longa vida ao seu pai e isto explica porque o postal é uma das mais tradicionais prendas deste dia. O que aconteceu depois a Elmesu ou ao seu pai é desconhecido. 

    No entanto a instituição de uma data específica para homenagear e agradecer aos pais surgiu muito mais tarde, no séc. XX. 
Nos EUA, Sonora Louise Smart, após saber da instituição do Dia da Mãe julgou que a paternidade também devia ser reconhecida. Filha de William Jackson Smart, antigo militar e combatente durante a Guerra Civil, Sonora decidiu homenagear o seu pai, que a criou e aos seus 5 irmãos sozinho, após a morte da sua mãe. 

      Ela falou com o ministério da sua cidade, Spokane, Washington, e propôs o dia do aniversário do seu pai, 5 de junho, como a data para honrar todos os pais da cidade. 

      No entanto, o primeiro Dia do Pai como o conhecemos foi comemorado a 19 de junho de 1910. A ideia alastrou-se pelo país e, em 1972, o Presidente Nixon proclamou que este fosse celebrado no terceiro domingo de Junho. 

      A celebração foi adoptada por outros países e Sonora Smart considerada a mãe do dia do pai. 
  

     Na Inglaterra também se celebra a data no terceiro domingo de junho, tal como no México, o Japão, a Índia e a África do Sul. 



     Em Portugal, Angola, Espanha e Itália, a data coincide com o dia de S. José. 
     Segundo o Novo Testamento pertencente à Bíblia, José foi o marido de Maria e pai adoptivo de Jesus. Era carpinteiro e vivia na cidade de Nazaré, na Galileia. O culto a São José começou no século IX apesar da data do seu nascimento ou morte ser desconhecida, até o papa Gregório XV referir, em 1621, que a sua morte teria sido a 19 de Março. 

     Juntar esta homenagem aos ascendentes ao dia de S. José fez bastante sentido pois Portugal era e é um país maioritariamente católico. Em 2001, segundo os censos, os católicos compunham cerca de 85% da população portuguesa. Por ser o dia do pai de Jesus faz-se uma homenagem especial a todos os pais. 



     Mas mais importante que a origem, é o significado do dia dos pais. Um dia em que demonstramos por acções ou palavras o quanto os nossos pais são importantes nas nossas vidas, e em que queremos mostrar o quanto os apreciamos. 

     Aproveita. 



Ana Ernesto

quarta-feira, 14 de março de 2012

Dia do Pi

Número grego p
     Hoje é o dia do Pi. A aproximação mais utilizada para a constante matemática mais conhecida é 3,14, daí ser o dia 14 de Março (3/14) aquele em que se comemora o Pi. Esta data comemora-se desde 2009, depois de o Congresso dos EUA declarar a importância do número e de estudar matemática. Algumas escolas portuguesas aproveitam este dia para incentivar os alunos a estudarem matemática, como é o caso do Agrupamento de Escolas de Rio de Mouro Padre Alberto Neto, que no ano passado fez uma exposição comemorativa.
     O número Pi é um número irracional, ou seja, a razão entre dois números naturais não podem expressá-lo. Ainda que corresponda a um número (à razão entre o perímetro do círculo e o seu diâmetro ou à razão entre a área do círculo e o quadrado do seu raio.), como o Pi não pode ser representado de forma numérica por ser infinito, representa-se pela letra grega que corresponde à letra p, de perímetro, do alfabeto latino.
     A primeira tentativa de utilização do Pi data de 1650 a.C.. O papiro de Rhind apontava que o Pi correspondesse a um valor próximo de 3,16. No Antigo Testamento, da Bíblia, mais precisamente no Livro dos Reis, surge uma referência ao Pi sobre a qual se tem discutido e da qual se podem tirar duas conclusões antagónicas: ou o valor estava correcto ou tinha um grande erro (mais de 100%). Esta diferença prende-se ao facto de os estudos do assunto apontarem para diferentes leituras daquilo que consta no Livro dos Reis. Em 1706, o matemático William Jones propôs a utilização da letra grega para representar o valor de Pi.
      O sítio online http://www.atractor.pt/fromPI/PIsearch.html realiza um experiência divertida que permite ao utilizador encontrar números com que se identifique, tal como números telefónicos, na sequência do número Pi. 

Imagens retiradas do site http://www.atractor.pt/fromPI/PIsearch.html, procura da data de hoje: 14.03.2012



Diogo da Cunha

segunda-feira, 12 de março de 2012

Mar Lusitano

Contam-nos os historiadores que seria por volta deste mês, em que os ventos eram mais favoráveis, que as armadas portuguesas partiam para a Índia.
É neste mês também que a história de uma armada que partia para a Índia fica, para sempre, guardada em forma de livro. Diz o professor e estudioso Álvaro Pimpão que “a data de 12 de Março de 1572 é uma data assinalável porque deve corresponder à do lançamento da obra” Os Lusíadas, de Luís de Camões.
Foi a publicação de uma obra declamada ao rei D. Sebastião, que a mandou publicar com “privilegio real”. Uma obra que exaltava o povo português e, especialmente, os seus feitos marítimos. Publicada em diversos países, reconhecida através de gerações e aclamada como a epopeia de referência da língua portuguesa, Os Lusíadas é, por excelência, o maior tributo aos Descobrimentos.
No século XV, “da ocidental praia lusitana” partiam as caravelas para “mares nunca dantes navegados”. Foram viagens conturbadas, de longos meses, e até anos, mas que “entre gente remota edificaram/Novo Reino que tanto sublimaram”. Os Descobrimentos trouxeram contributos para as áreas da Botânica, da Zoologia, da Matemática, da Geografia e da Cosmologia. Graças a eles, Portugal tornou-se, nessa época, um Império, um dos países mais ricos e influentes do mundo.
Mas as potencialidades do mar para a economia portuguesa não se esgotaram com os Descobrimentos. O Professor Ernâni Lopes, autor do estudo “O hipercluster do Mar”, é um dos muitos especialistas que defende que o futuro da economia portuguesa está nos recursos marítimos. Recursos que vão desde riquezas como gás, ouro ou cobre, a matérias primas industriais. Actualmente, as actividades económicas ligadas ao mar representam cerca de 2% do PIB nacional, mas este é um sector com possibilidades de crescimento. Segundo Ernâni Lopes, em 2025, a economia do mar pode vir a representar 10 a 12% do PIB.
Tal como foi apresentado por Jorge Cruz Morais, administrador da EDP, na Lisbon Atlantic Conference do ano passado, este crescimento pode-se dever a projectos como a aposta na energia eólica offshore (ou energia das ondas). Esta energia renovável tem uma potencialidade de 250 MW e, ao contrário da onshore (ou energia do vento), tem uma capacidade de área praticamente ilimitada.
Já a associação Oceano XXI, que promove o conhecimento e a economia do mar, considera que modernizar as atividades marítimas tradicionais e desenvolver novas atividades, produtos e serviços inovadores direcionados para exportação, será um dos caminhos para o melhor aproveitamento dos recursos marítimos.
O “mar português” sempre contribuiu para a elevação do país. Portugal tem a 10ª maior Zona Económica Exclusiva (ZEE) do Mundo, que com 1 727 408 km2 acrescenta ao território continental cerca de 15 vezes o seu tamanho, fazendo com que a área total de Portugal se equipare à Índia, o sétimo maior país do Mundo.
Ao serviço deste “nosso” mar desde o ínicio da nação está a Marinha portuguesa. E a possibilitar um amplo e profundo contacto com o mar aos futuros oficiais da Armada, já há 50 anos, está o Navio-Escola Sagres, que será condecorado, hoje, com o grau de Membro Honorário da Ordem Militar de Cristo, pelo Presidente da República, Cavaco Silva. O navio-escola efectua anualmente viagens de instrução com cadetes da Escola Naval e funciona também como embaixada itinerante de Portugal, representando a Marinha e o país.
Na sua visita de hoje à Base Naval de Lisboa, no Alfeite, o Comandante Supremo das Forças Armadas visitará também a Fragata Corte-Real que largará brevemente para a “Operação Atalanta”, uma missão Europeia de anti-pirataria na Somália.
A celebrar o papel do mar na economia, cultura e lazer, não só em Portugal como noutras grandes metópoles costeiras está, até Agosto, a exposição “O mar é fixe mas não é só peixe”, no Pavilhão do Conhecimento.
No século XV “no largo mar fazendo novas vias” (Os Lusíadas, V.66.3), hoje, abrindo novas vias para o mar, sempre acompanhados da boa sardinha e da saudade dos que partem que ao Fado deu tanta inspiração, fica no mar a Cultura de um povo que sempre viveu “ao pé da praia”.

                             Raquel de Melo Teixeira

sexta-feira, 9 de março de 2012

9 de Março


9 de Março de 1500. Data em que Pedro Alvares Cabral saiu com a sua frota da costa portuguesa em rumo à Índia.
Os que ainda se lembram das aulas de história sabem o que aconteceu a seguir. Para o que não se lembram eu conto: a 22 de Abril de 1500 avista-se terra. Mas não a que se esperava. Foi nesta data que tocámos pela primeira vez em solo brasileiro, reivindicando-o nosso e só nosso.

Denominado de Ilha de Santa Cruz e mais tarde de Terra de Santa Cruz, os portugueses tomaram posse do pedaço de terra acabado de descobrir e começaram a colonizá-lo por volta de 1530.
Durante mais de três séculos usámos e abusámos de tudo o que o Brasil tinha para dar. Exportámos o seu açúcar, usámos as suas pessoas como escravas, explorámos o seu ouro e transformámos o país num destino para os degredados portugueses.
Apenas em 1825 Portugal declarou o Brasil um país independente.
Eles lá e nós cá. Foi assim que vivemos durante mais de um século. Porém por volta do ano 2000 começou a haver uma grande afluência de brasileiros para o nosso cantinho à beira mar plantado. Em busca de melhores condições de vida e de emprego, o povo brasileiro começou a vir de armas e bagagens para Portugal. Ainda era pequena e não tenho grande memória disto, mas do pouco que me lembro não estávamos muito a favor da sua estadia no nosso país. Acreditávamos que vinham tirar emprego aos  locais. “Estávamos aqui primeiro” bradávamos.
Agora estamos num buraco gigante. Todo o país está a espera para ver o que vai acontecer e como vai acontecer. E infelizmente, com a falta de emprego, a única solução é emigrar.
Como tal procura-se partir para países que falem a nossa língua – o Brasil e a Angola tornam-se locais de preferência.
Portanto, agora somos nós que rumamos para o Brasil. Em busca de melhores condições de vida e de emprego. E esperamos ser recebidos de braços abertos.
Está a emigrar muita gente. Muitas vão com uma mão à frente e outra atrás, sem conhecer o país ou ter alguém lá que os possa orientar.  
E como se ainda precisássemos de mais incentivos para ir, o primeiro-ministro vem e informa que realmente ir embora pode muito bem ser uma solução. Porque aqui já não há trabalho.
Com isto tudo dá vontade de ir mesmo embora. Deixar aqui os governantes a comandar Portugal.
O problema é que também ninguém nos quer. Logo a seguir ao maravilhoso comentário de Passo Coelho, que acabou por aparecer nas notícias de todo o mundo, o Brasil e Angola deram logo resposta: “aqui também temos os nossos problemas”. Resultado: ninguém nos quer. Mas nós vamos à mesma.
E sendo assim, o último que feche a porta. 



AGS

quarta-feira, 7 de março de 2012

"O programa segue dentro de momentos"




Durante muito tempo foi esta a solução encontrada para resolver as pausas forçadas nas emissões. Se perguntarmos aos nossos pais e avós sobre os fundos peculiares que apareciam em grande plano sempre que ocorria alguma falha técnica na transmissão de programas do recente canal, a resposta seria a mesma: “o programa segue dentro de momentos”, enfatiza o meu avô, com voz de gozo, como quem imita uma criança. Passados muitos anos, a mensagem que transmite o sinal de avaria mantem-se. Foram precisas duas décadas de experiência para que esta imagem de fundo desaparece-se.
 
E hoje? Como seria hoje, se a meio do horário nobre surgisse das profundezas do minúsculo ecrã uma imagem, desta feita a três dimensões, ou mesmo em HD, High Quality, com um boneco animado e uma mensagem com indicações de interrupção da emissão por problemas técnicos? A impossibilidade de tal acontecer inviabiliza quaisquer situações que pudessem surgir na minha mente mundana de quem nasceu no século XX, e de quem passou um milénio.
Nasci com toda a tecnologia ao meu dispor. Lembro-me de ver vezes sem conta o Rei Leão e os 101 Dálmatas. Lembro-me do “tijolo” que era o primeiro telemóvel da minha mãe. Lembro-me da primeira vez que toquei num computador. E sobretudo, lembro-me do velho aparelho “Sony” – sim, porque quando a minha mãe se casou, os televisores “Sony” estavam na moda – à frente do qual eu passei horas e horas a ver os meus programas favoritos. Sempre tive escolha. Desde pequena que tive os quatro canais à minha disposição, e ouvir falar em televisão a preto e branco sempre me pareceu uma anedota, ou um daqueles filmes super antiquados, em que ninguém fala e que as mensagens são transmitidas por gestos.
Hoje é dia 7 de Março de 2012. Há precisamente 55 anos atrás teve início a primeira emissão regular da RTP. E coincidência, ou não, há exactamente 32 anos deu-se a primeira transmissão a cores deste canal. Não tive o prazer de estar à espera do rebentar da bomba; aquela contagem decrescente que deixa um “friozinho” na barriga a todos os que estão por detrás e à frente das câmaras fascina-me; e aquela ansiedade de quem jamais vira um televisor e de quem aguarda nervosamente a oportunidade de ver, pela primeira vez, pessoas a movimentarem-se de dentro de uma caixa, geralmente preta, com som e a preto e branco.
Cerca das 21.30H começa o genérico da RTP. É ao som de “Derby Day” que a primeira emissão tem início. É com a voz de Maria Helena Santos que a emissora nacional arranca. Marcada pelo nervosismo e por constantes falhas, a primeira transmissão da RTP decorre de acordo com o esperado, e é considerada por muitos como um êxito.
Passados tantos anos, para uma geração que sempre viveu, que cresceu, que deu os primeiros passos e que dará os últimos rodeada de tecnologia, é impensável sequer imaginar um mundo onde a televisão não exista; é inconcebível a ideia de não poder, através de um simples botão, ter acesso ao mundo, sim, porque a televisão, acima de tudo, possibilitou-nos e facilitou-nos o acesso a qualquer parte do globo.
Há 55 anos ao som de “Derby Day”, hoje através de “Portugal é RTP”:
“Eu estarei onde tu estiveres
Eu serei o que tu quiseres
O teu ver para crer, como fui
Desde a primeira vez
Estou onde queres que eu esteja
Sou o que quiseres que eu seja
A tua alma, a tua força, a tua voz principal…
A tua imagem no espelho
Afinal… Portugal é RTP”

                                                                                                                                      Joana Silva

Visite o museu virtual da RTP e fique a saber mais sobre a História da emissora nacional: http://museu.rtp.pt/



segunda-feira, 5 de março de 2012


O revólver Coltiano

Foi há 177 anos, nesta mesma data, que surgiu o primeiro revólver, pelas mãos de Samuel Colt.
Este inventor e fabricante de armas norte-americano patenteou o revólver Colt 45 a 1835, a primeira arma de fogo com cilindro removível e um tambor capaz de conter até seis munições.
Esta invenção foi revolucionária pois facilitava o recarregamento e manuseio da arma, quando comparado com as outras armas disponíveis na altura, que também eram mais pesadas e imprecisas. Com o revólver de Colt não importava a força física pois o armamento anulava todas essas variáveis. 

Num mundo onde as armas disparavam uma munição de cada vez, a invenção de uma que disparava seis causou furor. Após um disparo, o tambor introduzido por Colt girava e recarregava a arma, deixando-a pronta para um novo tiro.


A invenção da Colt 45 foi um marco importante da história das armas e principalmente as de fogo, mas está longe de ser o início do uso das mesmas.
   Os homens de Neandertal já utilizavam pedras esculpidas e amarradas a paus e pedaços de madeira como forma de defesa e caça, tal como muitos povos mais tarde recorriam ao metal para fabricar punhais e espadas, mas o ponto de viragem na história das armas foi a descoberta da pólvora pelos chineses assinalada entre os séculos XV e XVI depois de Cristo. Descoberta essa que resultou de um acidente de alguns alquimistas que, por ironia enquanto criavam a base de todas as armas, procuravam o elixir da vida. Assistiu-se então a uma evolução fascinante do uso da pólvora. Foguetes, bombas, canhões feitos de tubos de bambu para lançar pólvora aos inimigos. O uso militar do pó negro foi o primeiro a chegar. 

Foi então que no Renascimento foram introduzidas as primeiras armas de fogo para combates individuais na Europa, e posteriormente nas duas guerras mundiais assistiu-se a um aumento exponencial da variedade e capacidade das mesmas. Na Primeira (1914-1918), destacaram-se as pistolas de mão, como a Luger, principalmente na guerra de trincheiras, e na Segunda (1939-1945) a submetralhadora. 

Desde o começo da sua produção em massa no século XIX  as armas de fogo têm proliferado em grande parte do mundo e é comum coabitarmos com elas. 

Perigo ou protecção? É uma questão bastante debatida mas o que é inegável é que, associadas ao tráfico, as armas podem ser bastante prejudiciais.

O tráfico de armas é actualmente um dos maiores problemas mundiais, por ser internacional, envolver gente muito poderosa e render billiões de dólares, por exemplo só na Índia este tipo de tráfico rendeu 63 milhões de dólares em 2006. 
 Em Portugal o "tráfico de armas é preocupante", afirmou o director nacional da Polícia Judiciária (PJ), Santos Cabral, ao Diário de Notícias.  Acrescentou ainda que “as armas empregues por grupos criminosos que actuam nas cidades são cada vez mais perigosas" e para piorar “estão ao alcance de gente cada vez mais jovem”.

Actualmente é praticamente impossível saber ao certo o número de indivíduos que possuem armas de fogo. Milhões, talvez biliões, de pessoas têm-nas seja para a caça, para a defesa pessoal ou fins mais perversos. 
O que não deixa dúvidas é que a produção, venda e tráfico de armas são negócios crescentes e a prova disso é que o armamento militar foi um dos poucos sectores, senão o único, não afectado pela crise e em 2010 gastou-se um trilião e meio de dólares no mesmo.
A verdade é que o custo para superar a fome mundial seria uma fracção pequena do que se gasta em armamento actualmente.



Desde o uso de pedras à invenção do revólver e o uso da metralhadora na II Guerra, o homem sempre recorreu às armas mas, representarão elas perigo ou protecção?




Ana Ernesto