Faz hoje um ano que José
Sócrates se demitiu do seu cargo de Primeiro-ministro.
No início do ano de 2011, o
então Primeiro-ministro propôs aos partidos da oposição e ao país um Plano de
Estabilidade e Crescimento, mais conhecido por PEC IV. Quando a oposição teve
acesso ao conteúdo do PEC IV e percebeu o que ele implicaria, avisou o Primeiro-ministro
que nunca iria permitir que aquele plano avançasse. Como resposta, Sócrates
disse que sem a aprovação do PEC não teria possibilidade de governar o país.
Assim, dia 23 de Março, o
Parlamento inteiro chumbou o PEC IV conduzindo assim à demissão de José
Sócrates.
Dinheiro
de fora
“Sempre alertei para as
consequências negativas de uma intervenção externa. Há toda uma diferença entre
um País que resolve os seus problemas e um País que tem de pedir ajuda externa
por não conseguir resolver os seus próprios problemas”, afirmou Sócrates no seu
discurso de demissão, passado em directo nos canais nacionais.
Marcaram-se legislativas
para o mês de Junho, e no tempo entre a demissão e as eleições, José Sócrates
manteve o seu cargo. Foi nesse período de tempo que o então Primeiro-ministro
chamou o FMI e a Troika.
Sempre acusando o PSD de ser
o responsável pelo pedido de ajuda externa, José Sócrates juntamente com os
outros partidos e com a Troika criou um plano para recuperar a economia de
Portugal. Este plano teria que ser seguido à risca e para ter a certeza que tal
acontecia, a Troika viria visitar o país de seis em seis meses.
A 5 de Junho de 2011 houve
eleições legislativas. Os principais candidatos eram José Sócrates, pelo PS,
Passos Coelho, pelo PSD, Francisco Louçã, pelo BE, Paulo Portas, pelo CDS-PP, e
Jerónimos de Sousa, pelo PCP.
Venceu Passos Coelho, que
mais tarde fez a coligação com o CDS-PP, para, dessa forma, ter a maioria no
Parlamento.
Passos Coelho é neste
momento Primeiro-ministro e faz cumprir as regras impostas pela Troika para
alcançar dessa forma as metas também impostas por esta entidade. Portugal
continua em crise e não se sabe bem quando sairá dela.
Enquanto isso, José Sócrates
está em Paris a estudar Ciência Política.
"O Zé
Povinho olha para um lado e para o outro e fica, como sempre... na mesma",
esta é a caracterização de um dos bonecos mais carismáticos da história
portuguesa. Quem não se lembra do “gorducho”, submisso, humilde e apático que foi
e continua a ser esta personagem tão caracterizadora da sociedade portuguesa e
do povo português? Ontem chamados de “zé povinhos”, hoje orgulhosamente
reconhecidos como os “tugas”, mas na mais pura das essências, as mudanças são
cada vez menos visíveis.
Hoje é dia 21 de
Março! Há precisamente 166 anos nascia aquele que viria a ser um dos mais
importantes artistas portugueses. Rafael Bordalo Pinheiro foi um percursor nas
artes do nosso país, tendo desempenhado funções de jornalista, caricaturista,
ilustrador, ceramista, entre muitas outras. Em suma, foi aquilo que nós podemos
considerar um homem dos sete ofícios.
Uma das
principais criações de Bordalo Pinheiro foi então o herói Zé Povinho. Surgiu
pela primeira vez em 1875 no periódico português A Lanterna Mágica,
considerado o primeiro diário crítico do país. Na sua primeira aparição a público,
Zé Povinho não estava sozinho, mas sim acompanhado pelo Ministro da Fazenda da
altura, Serpa Pimentel, que na caricatura está a tirar a Zé Povinho uma esmola
e a dá-la ao Santo António de Lisboa, que representa Fontes Pereira de Melo,
com o menino ao colo, caricaturando D. Luís I. Nessa mesma caricatura surge
também um Guarda Municipal com um chicote em punho para se certificar de que o
pobre cumpre com a sua “obrigação”.
“(...)
ele é paciente, crédulo, submisso, humilde, manso, apático, indiferente,
abúlico, céptico, desconfiado, descrente e solitário (…)”.
Ele é a representação mais fidedigna do típico cidadão português: é aquele que
gosta de ver a bola passar, mas sempre sentado no sofá sem muito se mexer, com
a cerveja, os tremoços e a mesinha de apoio da sala para gentilmente colocar os
pés. Aquele que deixa que tudo à sua volta vá acontecendo, guardando a sua
brilhante intervenção para quando ele próprio é atingido pela bola de neve ou
como quem diz, quando a “mostarda lhe chega ao nariz”. É aquele que vai
aguentando tudo calado, ou então, aquele que vai reclamando em casa “ó que
triste sina a minha”, mas, e fazer algo para reverter a situação? “É melhor
não, dá muito trabalho”. É o típico português demasiado cansado para sair para
a rua e gritar; é o típico português sem ambição e sem vontade de progresso; é
o típico português resignado e acomodado.
Ao longo de toda
a sua existência surgem-nos também outras facetas desta personagem. “(…) incrédulo, revoltado, resmungão, insolente, furioso, sensível, compassivo,
arisco, activo, solidário, convivente...", é
desta forma que Zé Povinho é recordado por muitos. O boneco sempre em posição
de “toma”, foi a expressão máxima de crítica à sociedade do seu tempo por parte
de Bordalo Pinheiro, que assistia ao empobrecer da população, com cada vez
menos direitos e cada vez mais “obrigações”, e que observava incrédulo o
destruir da sua pátria que outrora fora dona de meio mundo.
As similitudes com os
dias de hoje são evidentes. Há cada vez mais “tugas” resignados e estagnados
com a sua situação pessoal e com a situação do país. A abulia do dia-a-dia
chegou para ficar numa sociedade minada de graves problemas socioeconómicos,
para os quais não se avista solução, mas, também, se não há ninguém com vontade
para os resolver, é impossível que tal solução seja encontrada e posta em
prática.
O Primeiro-Ministro
aconselha aos jovens a emigração. Por outras palavras, Pedro Passos Coelho
encaminha os jovens para um futuro áureo e próspero fora do país, o que acabará
por resultar num abandono de Portugal por parte daqueles que tinham as maiores
capacidades de conquistar um excelente futuro permanecendo no nosso país; por
parte daqueles que possibilitariam à população portuguesa ter esperança e
acreditar na existência de um amanhã.
Contraditório, ou não, dependendo das
opiniões, Cavaco Silva, Presidente da República, veio na semana passada, no
polémico prefácio do livro Roteiros VI, afirmar que: “(…)O nosso maior potencial é
humano. O nosso maior potencial são os Portugueses, especialmente os jovens –
os jovens que não se conformam, que aspiram a um futuro melhor (…)”. Perante
esta frase do nosso líder supremo fico baralhada. A pergunta impõe-se: afinal é
ou não para sair do país? Pelos vistos, nesta confusão que impera em Portugal,
nem o Sr. Primeiro-Ministro, nem o Sr. Presidente da República se entendem. Um
aconselha os portugueses a “abandonar o barco”, o outro afirma com todo o
orgulho que são os jovens o futuro da nação, mas “Sr. Presidente da Republica,
se os jovens acatarem o conselho de Passos Coelho, daqui a uns tempos poucos
vão ser aqueles que cá ficam para conduzir a nação, então como é?”
Zé
Povinho surgiu numa época de crise e contradições como aquelas que enfrentamos
nos dias de hoje. Há século e meio havia quem viesse para a rua e se insurgisse
contra os pressupostos estabelecidos; há 150 anos Bordalo Pinheiro não se
deixou resignar e criticou, caricaturou, gritou, escreveu, fez algo, mesmo
sabendo que isso lhe poderia acarretar consequências. Esse não resignar que
conduziu à criação de Zé Povinho é o que falta hoje. Portugal tem uma História
repleta de sucessos e de glórias, no entanto, todas essas vitórias são
largamente ultrapassadas em tempos de crise.
Os
“tugas” tornaram-se derrotistas e acomodados, sempre à espera do que o futuro
lhes trará, o que é totalmente incompatível com a mentalidade progressista que
outrora possuímos. Receio e medo são palavras de ordem numa sociedade repleta
de “censura” intrínseca, numa sociedade que apesar de ter estatuto democrático,
caminha cada vez mais para um beco escuro e apertado. Há que voltar a enfrentar
esses medos e lutar contra tudo o que seja visivelmente contra os princípios de
liberdade definidos; há que exercer os nossos direitos enquanto cidadãos; há
que nos esforçar por fazer de Portugal um país melhor mas, acima de tudo, um
país com futuro.
Como
Jorge Palma cantara há muito anos:
Ai, Portugal, Portugal De que é que tu estás à espera? Tens um pé numa galera E outro no fundo do mar Ai, Portugal, Portugal Enquanto ficares à espera Ninguém te pode ajudar
Hoje é dia 21 de
Março. Hoje é o dia do aniversário de Rafael Bordalo Pinheiro. E hoje é o dia
de começar a olhar para as coisas de forma diferente; de encarar o mundo e a
vida de forma diferente. Hoje é o dia da mudança, porque “enquanto ficares à
espera, ninguém te pode ajudar”.
segunda-feira, 19 de março de 2012
Pai
O primeiro registo de comemoração deste dia data de cerca de 4.000 anos atrás, na Babilónia. Elmesu, um jovem babilónico, esculpiu um cartão para o seu pai em argila que foi encontrado nas ruínas da antiga cidade, onde se localiza actualmente o Iraque.
No cartão desejava saúde e longa vida ao seu pai e isto explica porque o postal é uma das mais tradicionais prendas deste dia. O que aconteceu depois a Elmesu ou ao seu pai é desconhecido.
No entanto a instituição de uma data específica para homenagear e agradecer aos pais surgiu muito mais tarde, no séc. XX.
Nos EUA, Sonora Louise Smart, após saber da instituição do Dia da Mãe julgou que a paternidade também devia ser reconhecida. Filha de William Jackson Smart, antigo militar e combatente durante a Guerra Civil, Sonora decidiu homenagear o seu pai, que a criou e aos seus 5 irmãos sozinho, após a morte da sua mãe.
Ela falou com o ministério da sua cidade, Spokane, Washington, e propôs o dia do aniversário do seu pai, 5 de junho, como a data para honrar todos os pais da cidade.
No entanto, o primeiro Dia do Pai como o conhecemos foi comemorado a 19 de junho de 1910. A ideia alastrou-se pelo país e, em 1972, o Presidente Nixon proclamou que este fosse celebrado no terceiro domingo de Junho.
A celebração foi adoptada por outros países e Sonora Smart considerada a mãe do dia do pai.
Na Inglaterra também se celebra a data no terceiro domingo de junho, tal como no México, o Japão, a Índia e a África do Sul.
Em Portugal, Angola, Espanha e Itália, a data coincide com o dia de S. José.
Segundo o Novo Testamento pertencente à Bíblia, José foi o marido de Maria e pai adoptivo de Jesus. Era carpinteiro e vivia na cidade de Nazaré, na Galileia. O culto a São José começou no século IX apesar da data do seu nascimento ou morte ser desconhecida, até o papa Gregório XV referir, em 1621, que a sua morte teria sido a 19 de Março.
Juntar esta homenagem aos ascendentes ao dia de S. José fez bastante sentido pois Portugal era e é um país maioritariamente católico. Em 2001, segundo os censos, os católicos compunham cerca de 85% da população portuguesa. Por ser o dia do pai de Jesus faz-se uma homenagem especial a todos os pais.
Mas mais importante que a origem, é o significado do dia dos pais. Um dia em que demonstramos por acções ou palavras o quanto os nossos pais são importantes nas nossas vidas, e em que queremos mostrar o quanto os apreciamos.